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Mudança na água é detectada com rapidez por zoobentos no leito de nascentes e lagos

Fonte: Agência Usp de Notícias

Júlio Bernardes

No Parque Estadual do Jaraguá, em São Paulo, pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da USP coletam zoobentos - pequenos animais invertebrados do leito de nascentes e do lago - para avaliar o impacto da visitação e dos esgotos nas águas. O zoobentos é mais sensível para detectar mudanças na qualidade da água antes de análises físicas e químicas, com menores custos. A pesquisa é coordenada pela professora do IB, Ana Lúcia Brandimarte.

Os pesquisadores coletaram amostras de vermes oligoquetos da família Tubificidae e larvas de insetos da família Chironomidae, animais com cerca 0,5 milimetros de comprimento. "A alta densidade de pequenos invertebrados típicos de locais com baixa oxigenação indica de forma rápida a presença de esgoto", explica Ana. "Quanto mais esgoto, mais matéria orgânica se decompõe, reduz-se o oxigênio e aumenta a concentração de amônia, o que mata os peixes, enquanto o zoobentos é favorecido, pois muitos grupos se alimentam de detritos."

Além da medição da densidade de zoobentos, também foram recolhidas amostras da fauna (zooplancton) e da flora (fitoplantcton) que vive na coluna d`água, além das medições de oxigênio. "O maior nível encontrado foi de 5,73 miligramas de oxigênio dissolvido por litro de água, pouco acima do patamar em que ocorrem problemas com os peixes, que é de 4 a 5 miligramas", diz a professora. "A menor concentração, obtida no lago, foi de 0,76 miligramas por litro, havendo dominância de Tubificidae."

Esgotos
De acordo com Ana Lúcia, o lago do Parque do Jaraguá é alimentado por uma galeria de água pluvial que recebe esgoto doméstico, com alto nível de nitratos e fosfatos. "A água é muito alcalina, com pH superior a 7, e as grandes concentrações de coliformes fecais e da bactéria Escherichia coli tornam o lago impróprio para recreação", diz. "Para recuperá-lo, além de impedir o lançamento de esgotos, será necessário desassoreá-lo, com cuidados especiais para a remoção dos sedimentos do fundo."

Nas trilhas, a maior preocupação é que a visitação prejudique a qualidade das nascentes de água existentes no Parque. "A área, que abrange os Picos do Jaraguá e do Papagaio, é uma das últimas remanescentes da Mata Atlântica na cidade de São Paulo", afirma a professora. "A qualidade da água nas nascentes pesquisadas é boa, mas para preservar os riachos, a fauna e flora do local, a administração do parque iniciou um plano de manejo ecológico que vai aproveitar os resultados da pesquisa."

O Parque do Jaraguá possui área de 338.800 metros quadrados, e sua área inclui torres de rádio e televisão. A administração é do Instituto Florestal, ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Os pesquisadores do IB programaram mais duas etapas de coleta até a divulgação dos resultados finais da pesquisa, em 2006.

Mais informações: (0XX11) 3091-7528, com Ana Lúcia Brandimarte

Imagem cedida pela pesquisadora

Data: 31/05/2005

Fonte: Agência Usp de Notícias

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