A engenharia genética está encontrando um caminho para diminuir a
incidência da deficiência de ferro, que afeta dois bilhões de pessoas
no mundo segundo a Organização Mundial da Saúde. Um trabalho científico
de pesquisadores do laboratório de biotecnologia vegetal do Instituto
Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich, na sigla em alemão), na
Suíça, conseguiu aumentar o conteúdo férreo do arroz polido por meio da
transferência de dois genes de planta em uma variedade de arroz já
existente. O resultado foi publicado dia 21 de julho na edição online
do Plant Biotechnology Journal.
O arroz possui uma
grande quantidade de ferro, mas apenas no tegumento (casca). Como o
arroz com casca fica rançoso rapidamente em climas tropicais e
subtropicais, o tegumento (rico em ferro) tem que ser removido para
permitir o armazenamento.
Pessoas com deficiência de ferro
cansam facilmente, têm problemas no metabolismo de substâncias nocivas
em seus corpos e, eventualmente, sofrem de anemia. Mulheres e crianças
são particularmente afetadas em países em desenvolvimento, onde o arroz
é o principal alimento. O arroz descascado, também chamado de arroz
polido, não tem ferro suficiente para satisfazer as necessidades
diárias, mesmo se consumidos em grandes quantidades. Para muitas
pessoas, uma dieta equilibrada ou suplementos de ferro são muitas vezes
inacessíveis.
Genes ajudam a mobilizar e armazenar o ferro
O
arroz geneticamente modificado expressa dois novos genes, um para
produzir a enzima nicotianamina sintase, que mobiliza o ferro, e outro
que produz a proteína ferritina, que armazena o ferro. A ação conjunta
das duas substâncias permite que a planta absorva mais ferro do solo e
o armazene no núcleo do arroz, onde o produto da nicotianamina sintase,
chamado de nicotianamina, liga-se ao ferro temporariamente e facilita o
seu transporte pela planta.
Já a ferritina age como um depósito
para o armazenamento de ferro em plantas e humanos. Os pesquisadores
controlam os genes introduzidos de tal modo que a nicotianamina sintase
é expressa em toda a planta, mas a ferritina, por sua vez, é expressa
apenas no núcleo do arroz. Juntas, as expressões dos genes têm um
impacto positivo no acúmulo férreo no núcleo de arroz, retendo seis
vezes mais ferro neste local que a variedade original. O grande
benefício é que esse ferro retido no núcleo não se perde quando o arroz
é polido.
Os cientistas do ETH estão entusiasmados com a nova
variedade de arroz. Os protótipos se comportaram normalmente em casa de
vegetação e não mostraram sinais de qualquer efeito negativo. "Logo nós
teremos que testar se as plantas de arroz também apresentam um bom
desempenho no campo, sob condições agronômicas", diz o professor da ETH
Wilhelm Gruissem. Ele não acredita que as plantas possam causar um
impacto negativo sobre o ambiente. É improvável que elas tornem o solo
pobre em ferro, uma vez que este é o elemento metálico mais abundante.
Data: 17/08/2009
Fonte: Conselho de Informações sobre Biotecnologia